sábado, 29 de setembro de 2012

GALLIANO VERSUS SIMONS - A NOVA DIOR

GALLIANO VERSUS SIMON
 

                                                            
                                                             GALLIANO PARA DIOR


A grande diferença entre Raf Simons e Galliano é o talento para impressionar. Ao entrar na Maison Dior em 1997, Galliano tinha como objetivo rejuvenescer a marca, revitalizar a tradição e atrair novos consumidores. Conseguiu ao longo de mais de uma década a frente da Dior. Foi o responsável por espetáculos grandiosos, dramáticos, excêntricos e memoráveis para alta-costura. No prêt-à-porter criou coleções marcantes e imprimiu sua marca no New Look by Galliano para levar a Maison Dior ao século XXI.
Os vestidos para os grandes espetáculos da Dior haute-couture eram criados a partir de estudos de modelagens, com o uso de tecidos nobres, ricos bordados resultando em peças complexas e exibidas em espaços suntuosos. Como diretor criativo dos seus espetáculos, Galliano compunha um roteiro que trazia a aura da magia ou pesadelo, dependendo do que seria apresentado; mas um item quase não fez parte desse cenário: a simplicidade, ou melhor, a falta de ideias.
 
RAF SIMONS - HAUTE COUTURE 2012
 

Raf Simons na sua estreia tanto na haute couture quanto no prêt-à-porter decepcionou, por alguns motivos imperdoáveis para quem admira a moda: a falta de ousadia, ou talvez o excesso dela, ao querer impor o seu estilo em uma marca ícone e ainda envolta na "magia Galliano", decepcionou também ao colocar na passarela peças de uma ingenuidade criativa que em nada lembram o Senhor Dior dos anos 1950 e muito menos as loucuras impostas por Galliano.  Teremos que nos acostumar, se a Dior seguir a linha proposta por Simon, a uma mediocridade na moda e ao fim do que consideramos experimentação nas passarelas, pois também perdemos outro gênio da experimentação: Alexander McQueen. Mas na tentativa de explicar o inexplicável alguns afirmam que são os novos tempos, outros a crise econômica e até que Simons não é Galliano e, portanto não pode se comportar como ele; outros pensam que o novo criador da Maison é minimalista e suas coleções foram uma homenagem ao senhor Dior do início. Pode até ser, mas o erro é o mesmo ao tentar se aproximar de figuras ícones e que marcaram indelevelmente seu nome na história. A comparação é inevitável e arriscada, por um simples motivo: entrará em julgamento a genialidade para criar.

MAISON DIOR- 1950
 
 

Sob o meu ponto de vista ao ver o resultado das coleções eu diria que sinto falta de renovação, não só na Dior, mas na moda como um todo. Não acredito na crise financeira como um problema, mas na falta de vontade e principalmente, na falta de ideias para renovar o pensamento.
Também não acredito nas críticas de moda que afirmaram ter visto nas passarelas uma coleção elegante, feminina (talvez) e que a assinatura de Raf Simons para haute-couture e prêt-à-porter sejam de algum modo arquitetural.
Simons  disse que  "a palavra chave para esta nova era na Dior é "liberdade". Mas a liberdade de toda restrição leva a um excesso de autodestruição". Autodestrutiva pode ser para a Dior a passagem de Simons enquanto diretor criativo da maison.