quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sem medida


Nos últimos anos tenho acompanhado a moda e seu consumo bem de perto. Cada estação tem-se novas tendências, seja de cores, seja de tecidos, de modelos, enfim uma gama de nova idéias. Mas seriam mesmo novas idéias? A sensação que tenho é de repetição. Repetição de cores, de formas, de volumes, uma sequência de revisitação de modelagens, de épocas passadas (mas não tão passadas assim) e que pouca coisa é realmente alterada. Temos uma infinidade de desfiles, de revistas de moda, de editoriais que anunciam as novidades da estação, mas assistindo os desfiles ou vendo os editoriais o novo já não parece tão novo assim e aquilo que nos é apresentado temos uma vaga lembrança de já termos visto em algum lugar.
Há algum tempo a moda atravessa uma fase de pouca criatividade, não sei se por inércia dos estilistas, se por exigência do mercado - que tem que vender - não sei se pela falta de originalidade das grandes marcas que padronizam e pasteurizam as idéias para que sejam entendidas globalmente e que globalizar é a palavra de ordem, se não está goblalizado está fora.
Tenho ouvido muito que a globalização é responsável pela padronização do mundo, pela velocidade das informações, pela garantia de todos saberem de tudo ao mesmo tempo. Mas penso de outra forma quanto a esta questão, afinal o que nos faz ser diferente um do outro senão nossa identidade, nossa individualidade, nossa forma de sentir e de expressar de acordo com as nossas referências culturais. Sem estes ingredientes necessários para uma expressão diferenciada a moda perde sua identidade, sua razão de ser, sua razão de existir... Para continuar existindo como ideal de identidade a moda tem de reencontrar a sua essência, a sua individualidade, desse modo, pode ser que reencontre o caminho da emoção.

Nenhum comentário: